SOBRE O MISTÉRIO EM TORNO DA FORMAÇÃO DA IMAGEM NO SUDÁRIO DE TURIM

20/04/2012 17:47

“Embora os resultados apontem para um linho medieval, datado entre 1260 e 1390, nada explica como aquela imagem de alguém crucificado, manchado por sangue humano, restou impressa. Não há maneira de fazer o que foi feito; se for uma falsificação, ela é quase milagrosa”.

 

(Isaac Asimov, 1920-1992)

 

 

Antes de tudo é preciso informar que existem mais evidências em favor da autenticidade da suposta mortalha que teria envolvido o corpo de Jesus do que provas em contrário. Este lençol de linho, de mais de quatro metros de comprimento, com a imagem de um corpo e de um rosto, chegou à Itália há mais de 400 anos. É de propriedade da “Santa Sé” e está guardado até hoje na catedral italiana de Turim. Está estendido em um altar, dentro de uma longa caixa lacrada, conservada junto a gases inertes como o argônio para evitar fungos e bactérias, podendo ser aberta apenas pelo arcebispo de Turim, com a autorização do Vaticano.

 

Os minuciosos dados que a análise científica do tecido acumularam fazem admitir como incontestável que o Sudário de Turim é de fato o lençol que amortalhou Jesus. As evidências são tantas, que um dos pesquisadores, afirmou que a questão se invertera, de forma que quem duvidasse da autenticidade do Sudário é que deveria apresentar provas que justificassem sua descrença1.

 

A coloração da imagem lembra aquelas marcas que um ferro de passar, muito quente, deixa sobre um pano branco. É extraordinário notar que essa imagem está impressa em negativo, de sorte que nos negativos fotográficos ela aparece, com toda a clareza, em positivo.

 

As análises científicas realizadas descartam a possibilidade daquela imagem ter sido obra de algum artista do 14º século, como se dizia que era. Não há pigmentos de nenhuma espécie no Sudário. Ademais, quem no século XIV, teria noção de um negativo fotográfico? E ainda que a tivesse, como faria ele para "pintar" em negativo? Considere-se ainda que o Homem do Sudário está nu, coisa que certamente nenhum artista sacro, à época, se atreveria a fazer ao retratar Jesus. E depois, a exatidão dos dados anatômicos, a perfeita direção de cada gota de sangue, os mil detalhes retratados com absoluta perfeição, fariam desse artista um gênio superior a quantos se conhecem2.

 

Seria longo descrever todas as técnicas usadas nas pesquisas feitas sobre o Sudário. Especialistas de renome mundial em vários ramos da ciência foram convocados. Fizeram análise química, análise tecnológica da contextura do tecido, microscopia de elétrons, palinologia (estudo dos grãos de pólen impregnados num objeto), análise termográfica, microanálise e micro-sondagem, espectrometria de massa, microdensitometria, análise da imagem pelo Sistema VP-8 de Interpretação (Sistema utilizado pela NASA na interpretação de imagens trazidas por sondas que exploram a superfície de planetas como marte), análise físico-química, análise arqueológica, antropométrica, antropológica, médica, patológica, e não sei que mais3. Destes testes o único que deixou a desejar foi o do Carbono 14. Entretanto, mesmo ele, o teste de datação pelo C-14, apresenta erros de método já comprovados que o colocam na lista a favor da autenticidade. A razão para isso é que a técnica por este método pode inutilizar a peça. Uma das vozes que se opôs ao método foi a do dr. Willard F. Dibb, prêmio Nobel de química em 1960 e o próprio criador do teste. Ele pedia que se “queimasse” 1/6 da amostra original para que o resultado fosse preciso, o que obrigaria os cientistas a cortar mais de 1m do Sudário, razão pela qual a Igreja sempre resistiu ao teste4.

 

Neste artigo, entretanto não entraremos em detalhes em torno do notável retrospecto histórico do Sudário ou de como ele sobreviveu ao tempo e quais as diversas peripécias e polêmicas em que esteve envolvido. Sugerimos aos amigos leitores que realizem uma pesquisa na Internet, pois nela não faltarão artigos e referências a respeito de tudo aquilo que já foi feito em busca da veracidade da “relíquia”.

 

Nosso objetivo aqui consiste em especular em torno do processo de formação da imagem para que ela se apresentasse tal como a vemos na superfície do linho. Partiremos do pressuposto de que o linho é autêntico, aceitando as provas a favor e consequentemente abraçando a premissa de que a imagem do linho é realmente a “fotografia” de corpo inteiro de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Em 23 de março 1977, foi inaugurada a Primeira Conferência Estadunidense de Pesquisa sobre o Sudário de Turim, que reuniu na cidade de Albuquerque, em New México, EUA, desde integrantes da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, até membros da NASA e professores universitários. A intenção era a troca de opiniões sobre o modo como a imagem de Jesus teria se fixado no Santo Sudário. Até então, nenhum objeto fora submetido a técnicas tão diferenciadas e modernas como, por exemplo, “emissividade”, “fluorescência de raios X”, “ativação do nêutron”, etc. Fato bastante significativo foi o de a revista Science, a revista científica mais lida no mundo, ter publicado artigo sobre o Sudário5.

 

A partir desses estudos, chegou-se à conclusão de que o processo de formação da imagem do Santo Sudário não dependia da pressão entre o corpo e o lençol. Um fato de difícil explicação é a questão da tridimensionalidade da figura do Sudário: sob análise do computador VP-8, o mesmo usado para avaliar imagens do planeta Marte descobriu-se que a imagem é tridimensional (apresenta uma informação adicional em autorrelevo), o que elimina qualquer possibilidade de que tenha sido pintada.

 

Outro ponto de questionamento, levantado no decorrer da Conferência, foi o de estabelecer de que maneira um corpo já morto, frio, na sepultura, pôde produzir algum tipo de radiação ou calor, capaz de criar a impressão perfeita de um corpo humano. Uma das explicações dadas, embora jamais relacionada ao Santo Sudário, foi o caso da bomba atômica em Hiroshima, cuja explosão foi capaz de deixar impressa, em alguns lugares, a marca permanente das sombras de prédios e outros objetos. A partir disso, formulou-se a semelhança entre a irradiação e o fenômeno do Sudário.

 

O que formou a imagem, segundo Ian Wilson, foi algo que tinha um poder suficiente para projetá-la sobre o linho. “O que criou, pois, a imagem, deve ter sido alguma explosão de enorme intensidade”6. Mas a conclusão a que se chegou após diversas experiências, foi que ainda não se conhece nenhuma energia natural radiante que seja capaz de produzir tais efeitos sobre um pano de linho. Além disso, diz Solé, citando Barbet: “É inexplicável como um cadáver, coberto por chagas e envolto por um lençol, pôde sair dele, deixando intacto sobre ele a impressão do seu corpo e os traços do seu sangue”7.

 

Características Físicas do Homem do Sudário

 

O lençol apresenta uma imagem dupla, ventral e dorsal, de um homem nu, em tamanho natural. Os pesquisadores americanos Kenneth Stevenson e Gary Habermas calculam que ele tinha entre 30 e 35 anos, aproximadamente 1,80 m de altura e 79 kg de peso.

"Era um homem musculoso, habituado ao trabalho manual", afirmam. Dale Stewart, do Museu Smithsoniano de História Natural, dos Estados Unidos, diz que a barba, o cabelo e os traços faciais são característicos do grupo racial semita.

(Se assim não fosse, se esse homem não tivesse o "tipo atlético" como estes pesquisadores declaram, como teria ele suportado toda a tortura dos açoites e a via crucis? Provavelmente, morreria a caminho do calvário)

 

O mais intrigante é a luz ofuscante que "chamuscou" o lençol

 

No esforço quase irracional de negar a autenticidade do Sudário, alguns estudiosos lançaram mão de todo tipo de hipótese para explicar a formação da imagem: pintura, compressão do tecido sobre o corpo de um cadáver untado com óleos, decalque do linho sobre um baixo-relevo e até uma fotografia produzida em plena Idade Média. Nenhuma dessas ideias resistiu às análises científicas. As pesquisas mostraram que:

 

1 - A imagem não apresenta contornos nítidos, nem linhas que seguem direções preferenciais, como ocorre com todo o desenho, pintura ou decalque;

2 - Apesar de o linho ser fino, a imagem é superficial e não aparece do outro lado do pano, ao contrário do que aconteceria com uma pintura, compressão ou decalque;

3 - Não há vestígios de pigmentos, tintas ou vernizes, nem da difusão de líquidos através da trama do tecido (exceto nas marcas de sangue e nas manchas de água);

4 - A imagem não apresenta as deformações que seriam inevitáveis se o lençol tivesse sido comprimido sobre um cadáver (nesse caso, devido à tridimensionalidade do corpo, partes como o nariz, por exemplo, produziriam uma impressão bem mais larga do que o normal); Ou seja, assim como o corpo parecia "levitar" acima da pedra do sepulcro, igualmente o linho pareceria "levitar" descolado do corpo, por cima e por baixo!

5 - A imagem dorsal não é mais intensa nem mais profunda do que a frontal, o que seria de se esperar no caso de uma impressão por contato; ambas têm características idênticas, como se, no instante da formação da figura, o corpo, deitado, apresentasse peso zero; (em outras palavras, o corpo levitava, como se a gravidade para ele tivesse sido anulada no momento em que irradiava!)

6 - O tratamento da imagem por computador produziu uma forma tridimensional proporcionada e sem distorções, o que jamais ocorre em casos de pintura ou fotografia.

 

O Brilho Emanou do Próprio Corpo!

 

Descartadas todas essas hipóteses, como explicar a impressão?

 

Alguns cientistas sugerem que uma imagem como essa só poderia ser produzida se, numa fração de segundo, o corpo tivesse emitido um clarão equivalente ao da luz solar ou de uma explosão nuclear, como a da bomba de Hiroshima. Pela análise da figura, conclui-se que essa luz não foi refletida pelo corpo, como ocorre numa fotografia, mas emanou dele mesmo, chamuscando o pano.

 

Breves Considerações Sobre a Relação Massa e Energia

 

De acordo com as descobertas em Física Nucelar, Energia nuclear é a energia liberada numa reação nuclear, ou seja, em processos de transformação de núcleos atômicos. Alguns isótopos de certos elementos apresentam a capacidade de se transformar em outros isótopos ou elementos através de reações nucleares, emitindo energia durante esse processo. Baseia-se no princípio da equivalência de energia e massa (observado por Albert Einstein), segundo a qual durante reações nucleares ocorre transformação de massa em energia.

A reação nuclear pode acontecer controladamente em um reator de usina nuclear ou descontroladamente em uma bomba atômica. Em outras aplicações aproveita-se da radiação ionizante emitida.

A reação nuclear é a modificação da composição do núcleo atômico de um elemento, podendo transformar-se em outro ou outros elementos. Esse processo ocorre espontaneamente em alguns elementos. O caso mais interessante é a possibilidade de provocar a reação mediante técnicas de bombardeamento de nêutrons ou outras partículas. Existem duas formas de reações nucleares: a FISSÃO nuclear, onde o núcleo atômico subdivide-se em duas ou mais partículas; e a FUSÃO nuclear, na qual ao menos dois núcleos atômicos se unem para formar um novo núcleo.

 

Hipótese da Aplicação do Principio da Equivalência de Energia e Massa à "desintegração" do Corpo de Jesus

 

Evidência da manifestação de um outro tipo de Reação Nuclear??

 

O primeiro questionamento: "De que maneira um corpo já morto, frio, na sepultura, pôde produzir algum tipo de radiação ou calor, capaz de criar a impressão perfeita de um corpo humano?

 

Uma das explicações dadas, embora jamais relacionada ao Santo Sudário, foi o caso da bomba atômica em Hiroshima, cuja explosão foi capaz de deixar impressa, em alguns lugares, a marca permanente das sombras de prédios e outros objetos. A partir disso, formulou-se a semelhança entre a irradiação e o fenômeno do Sudário."

 

Vejamos bem: "formulou-se a semelhança entre a irradiação e o fenômeno do Sudário". "Semelhança", não "identidade" ou "perfeita analogia" com o fenômeno do Sudário.

Ora, numa bomba atômica a explosão é descontrolada. Uma vez detonada o que se espera da emissão de energia é algo devastador! A única forma de energia atômica controlada é a que é realizada nas usinas nucleares e por intrincados processos de controle que devem ser permanentemente monitorados.

No processo de formação da imagem do Sudário, a radiação se deu de maneira uniforme, e com uma intensidade suficiente para apenas "crestar" o linho, ou seja, "queimar superficialmente" a trama do tecido. Como toda e qualquer radiação carrega "calor", do aquecimento superficial a imagem do tecido se formou, indelével.

Para mim, algo muito mais parecido com o processo de "xerox" numa máquina copiadora, em que o tonner é "crestado" no papel, marcando os caracteres e imagens.

 

O segundo questionamento: "ainda não se conhece nenhuma energia natural radiante que seja capaz de produzir tais efeitos sobre um pano de linho. Além disso, diz Solé, citando Barbet: “É inexplicável como um cadáver, coberto por chagas e envolto por um lençol, pôde sair dele, deixando intacto sobre ele a impressão do seu corpo e os traços do seu sangue”.

 

Outro tipo de Energia radiante ainda desconhecida por nós?

Seres "humanos" tais como Jesus seriam capazes de, por si mesmos, "desmaterializar" seus corpos?

O QUE É UM FATO? Fato evidente, é que massa (a matéria do corpo) foi convertida em Energia, radiação, segundo a fórmula E = mc2! Num processo extremamente rápido, de pouquíssimos segundos, quando o corpo levitava sobre a pedra do sepulcro!

Complexo? Sim, muito complexo. Mas em Ciência, sabemos que para uma hipótese vir a tornar-se realidade é necessário que a mesma possa ser comprovada e repetida diversas vezes. Por isso até lá, só poderemos considerá-la especulação.

Evidencia da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo? Provavelmente.

Entretanto, como explicar as manifestações de Jesus aos apóstolos "quando estes estavam a portas fechadas" (João cap. 20, v. 26) no período em que o Cristo permaneceu entre nós antes de sua "ascensão"?

Estaria Jesus referindo-se ao poder que tinha de restaurar seu próprio corpo na passagem do Evangelho de João cap. 2, v. 18 quando afirma “destruam este santuário, e em três dias o reconstruirei”?

Era o "corpo glorioso" o mesmo corpo físico "desintegrado"? Era o "corpo glorioso" uma cópia sutil do corpo "desmaterializado" no sepulcro? Se era o mesmo o corpo de Jesus, então como fez ele, para adentrar o recinto onde estavam os apóstolos? Ele teria desmaterializado e simultaneamente "rematerializado" seu corpo "carnal" para se fazer visto a eles?

Ascendeu Jesus "aos Céus" em "carne, alma e ossos"?

Conforme a fé sabe-se que o corpo físico de Jesus nunca foi encontrado, apesar de supostas evidencias de que ele teria sido. Mas aí, como explicar a existência do Sudário, se for definitivamente comprovada a sua autenticidade?

E, além disso, se a fé dos diversos segmentos cristãos crê que Jesus "ressuscitou com o mesmo corpo", já que aquele corpo não foi mais encontrado, perguntamos: Jesus vive em carne e osso, Jesus vive como Espírito ou ele é uma espécie de "meio-termo" entre uma coisa e outra?

 

E por ultimo poderíamos questionar também:

 

O fenômeno que ocorreu com Jesus teria sido uma espécie de "conspiração do Altíssimo" para fazer incutir na mente dos antigos, e especificamente, dos povos da Palestina, uma crença viva "na imortalidade"?

 

Fontes Numeradas

[1], [2], [3] e [4] - http://entendendooespiritismo.blogspot.com.br/2010/06/o-sudario-de-turim-fenomeno-para-normal.html

 

[5] - http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=940&head=0

 

[6] – WILSON, Ian. O Santo Sudário. Editora Melhoramentos, SP, 1978

 

[7] – BARBET, Pierre. A Paixão de Cristo Segundo o Cirurgião. Edições Loyola, 1974.